16 de set de 2008

PINÓQUIOS DA VIDA REAL



Quem já teve a oportunidade de ler a estória do Pinóquio, pela edição Paulinas (livro lindamente ilustrado e comentado pela ótica da psicanálise) entende que a fábula conta da nossa procura pela identidade.

Querer ser algo que não somos, contrariando nossa índole. A madeira pode ser moldada, esculpida na verdade. Se o Pinóquio fosse de ferro, teria que se derreter por completo pra dar nova forma a cada descoberta do "eu" que fizesse.

Curioso é que o Pinóquio era muito egocêntrico pra quem não tinha uma identidade. E a mentira era a maneira como ele encarava a sua insegurança.

Isso me faz lembrar, do quanto eu fantasio certas situações pra que eu possa superar o que estou passando. Porém, mentira nunca foi minha defesa. A minha defesa sempre foi uns sopapos bem dados, associados à uma língua bem ferina.

Certo é que cansei de certas pessoas que precisam mentir pra poder viverem socialmente. Aqueles que dizem que fazem certas trairagens, "pq era melhor assim". Ou ainda, aqueles que vivem mentido pra si mesmos, achando que um mau relacionamento vai como mágica se transformar; que certas pessoas não são tão más quanto parecem; que conseguem superar o desprezo dado por certos "superiores" se fazendo de persistentes pq a sua péssima auto-estima os obriga a horas de esperançosas migalhas de atenção.

Na boa, quer viver assim, viva. Mas não espere que eu faça o mesmo.

Das fábulas, ainda prefiro a da princesa pele de burro.Se quiserem, um dia eu a conto aqui.

Não bastava eu conviver com um vizinho mitômano há anos. Por favor, peço a todos os que eu amo de coração que não mintam pra si mesmos. Não esperem que eu acredite nas mentiras que contam pra si. Nós, vamos gostar de vcs do mesmo jeito: pobres, com péssimos relacionamentos, galgando uma posição social melhor.

Já dispersei muitas "borboletas" que "viviam renascendo". Curioso é que sempre estavam "renascendo" no mesmo âmbito. Entendem? Será que estavam renascendo mesmo?

Cansou. Sinceramente, cansei. Eu encaro a minha vida do jeito que ela é e talvez por isso ainda não encontrei a paz. Talvez por isso, quando encontro alguém que queira me ouvir, eu diga com tanta precisão os meus erros, meus obstáculos. Mas isso não me impede de viver com criatividade. Só que eu uso a minha criatividade de um modo saudável. Não perco mais tempo me enganando.

2 comentários:

Dora disse...

Mais uma adepta do pragmatismo!!! Ou será mais uma negativista??

Débora disse...

Nenhum, nem outro....