22 de fev de 2008

COISAS DO COTINIANO II

Vida de Inferno

Hoje levantei atrasada. Tudo culpa do BBB8 ter prova do líder às Quintas. Pq eles não fazem essas coisas de Sexta, já que não se trabalha no sábado? Enfim... depois de tomar banho, quando fui esticar a última meia-calça que eu tinha na gaveta, eis que a minha unha tinha uma lasca e a rasgou fazendo aquela estria. "Pq vc não vai sem meia?", perguntou o Carlão. "Estou sem me depilar, preciso ir de meia", respondi. "Ninguém vai reparar", ele murmurou. Daí pensei comigo que se eu desse bola pro Jair da portaria, ele saberia sim que tem quem repara em mim. A solução que arrumei, foi vestir uma meia-calça branca. É horrível vestir meia-calça branca, todos ficam olhando... droga.

Cheguei no serviço e logo soube que seria um dia do cão: a sala de espera pra marcar consulta ou retorno, estava cheia de gente já. Naquela hora da manhã, já tinha gente. Aliás, nunca vi neste saguão, um dia sequer sem ninguém...Pra piorar, a Dulce tinha faltado. Aquela vaca! Arruma namorado como quem pega gripe e sempre arruma um "compromisso inadiável de ordem pessoal do meu particular" pra faltar. Então, toca eu atender a fila comum, as duas, quero dizer. Os aposentados estavam sendo atenditos pela Carmem e pela Deise. Ainda bem...

Mas sabe, o cliente não tem nada a ver com os nossos problemas, não é verdade? Sim, o paciente, deveria ser encarado na administração pública como cliente, daqueles que a gente pode perder e acabar o lucro. E é por isso, que mesmo eu tendo tantas coisas acontecendo de ruim, eu ainda procuro atender bem os clientes.

No dia, tudo o que vcs podem imaginar aconteceu: desde uma pessoa atropelada que foi encaminhada pra marcar consulta (como se ela não fosse prioridade do PS), um tuberculoso tísico pedindo pra marcar consulta (essa hora quase busquei uma máscara pra mim) e uma grávida que foi remarcar o pré-natal e acabou dando a luz lá mesmo. Mas, meu dia foi salvo por uma pessoa em especial. E não estou falando do safado do Jair, que mesmo sabendo que eu sou casada, fica dando aquela risadinha acompanhada de uma piscadela.

Ela veio sorrindo, me cumprimentando, apesar de eu notar em seu rosto, grande ansiedade, cansaço e indiganção. Queria marcar o retorno da filha, mesmo as duas morando do outro lado da cidade. Ela percebeu que eu tb estava cansada. Que eu tinha duas filas pra atender, ninguém pra me ajudar e ela percebeu que eu já tinha sido xingada várias vezes por coisas que eu nem tenho culpa. Porém, apesar de tudo, eu vi que ela me olhou sabendo que eu sou uma pessoa como ela: ambas mulheres, cansadas, com responsabilidades e preocupações.

Daí ela percebeu que se enganou e a filha não poderia ir ao médico na data que eu tinha disponibilizado. Ela pediu MIL desculpas e eu troquei. Sua educação, seu respeito e seu olhar, fizeram com que eu tb a visse diferente. Como uma pessoa. Como eu gostaria de ser tratada se estivesse no lugar dela.
Olha, Carlão, é por essas pessoas, que eu ainda aturo a sua autoconfiança sem fundamentos e não te dou um "vaza" ou um chifre. E é por essas pessoas, Dulce sua vagabunda, que eu não me irrito de verdade e desmascaro suas escapadas pra nossa chefe, a Marilena. Ela como boa sapatão homossexual, ía adorar frustrar seus encontros carnais nesses motéis de quinta que vc frequenta.

2 comentários:

Lu disse...

Nossa, isso sim que é rapidez pra cumprir desafio, hein? Confesso que qdo comecei a ler, já ia te escrever q não acreditava que vc ficava vendo BBB8... daí vi Jair ali... pensei, essa não pode ser a Débora hahaha historinha!!!

catiagrodrigues disse...

Parabéns Débora!
Achei ótima sua crônica e fiquei contente em ter uma pequena participção.
Beijos